Sunday, June 17, 2007

Despedida às palavras I


As palavras vão perdendo o significado e a força que sempre tiveram na minha vida, à custa de tantas vezes as ver amarrotadas, ignoradas, em suma, mal escritas. Começam a cansar-me. Criar uma nova linguagem através das sensações, em vez de utilizar as palavras, para não as gastar. As sensações não se gastam, estão sempre a ser renovadas e são inevitáveis. Compreendemos as mensagens das imagens, mas como comunicar com as sensações? Escrever sem palavras e sem imagens seria interessante, mas como fazê-lo?
As palavras gastam-se, talvez não da mesma forma como se gastam os sabonetes ou os rebuçados, mas também de forma definitiva.
Como seria se as palavras tivessem rugas, pés de galinha, ou artroses? Seria uma artrose com artroses, uma letra coxa ou constipada; uma paixão cansada.
Com as sensações nada disso aconteceria; não existem sensações histéricas, velhas e gastas, são só sensações, e podem ser ilimitadas.

Wednesday, June 6, 2007

Há qualquer coisa ...


AMOR BRUJO

“Quando não te vejo, o meu relógio “anda” sem corda; os sapatos andam trocados, de ternura (esqueço-me de os calçar bem, de manhã), não compro tabaco, eu, que fumo locomotivamente; pardais acercam-se, entram no saco de plástico e levam-me o pão. Sem ti, sou a minha estátua.
Há um friso na minha consciência – o da mitologia católica; é como uma catedral. Bem tento prender-me a ti, para salvar-me. É inútil. Há qualquer coisa que não me dá tréguas. Não posso lutar contra um inimigo que não distingo bem, na bruma.”

De Sebastião Alba

Friday, June 1, 2007

Uma mais ao menos criança de 13 foi acusada de ter sido violada

Uma criança de 13 anos e 9 meses foi acusada de ter sido violada pelo padeiro da esquina. A criança, quase adulta aos olhos da lei foi, apanhada a ser violentada pelo padeiro que já aparentava sinais de desgaste e sofrimento dignos de pena.
Em declarações no tribunal, o padeiro queixou-se que a criança de 13 anos e 10 meses entrou na padaria para comprar uma bola de Berlim com creme às 11h00, o que desde logo lhe levantou algumas suspeitas, por ser uma hora imprópria. Ficou logo de sobreaviso. A conversa azedou quanda a criança de 13 anos e 11 meses se exaltou com o padeiro quando ele lhe deu uma festa na cabeça e uma palmada no rabo para o compensar de não ter bolas com creme. As pessoas que assistiam ficaram indignadas com a atitude da criança que obrigou o padeiro a ir à cave da padaria confirmar se na verdade o homem tinha ou não tinha bolas. Fez-se ser agarrada pelo braço e, segundo apurámos pelas palavras do padeiro, obrigou-o a "despir-lhe as calças de ganga, de marca roscof". O povo que esperava a vez para ser aviado só venceu a inércia e foi chamar o homem do talho mais próximo quando ouviu os gritos infernais da criança a incitar à violação o pobre do padeiro.
A criança, já de 14 anos a esta hora, aguarda em prisão domiciliária e ficou à guarda da mãe do padeiro que já fez constar que "a ela o fedelho não a engana" e acrescenta: - O meu filho é um santo, não é que dorme com o malandrete todas as noites? Diz que é para ele não cometer nenhuma loucura?

Wednesday, May 30, 2007

Todo o português que se preze sabe escrever!


No meu emprego existe uma pessoa que foi contratada especificamente para fazer a revisão de todos os textos produzidos pelos colegas .

Pergunto-me, para quê o dispêndio de dinheiro, se todos sabemos escrever tão bem. Somos cerca de 90 espertos que gostamos de corrigir o que enviámos para corrigir pela pessoa responsável pelas correcções. Risível, não? Seria de rir se não fosse denunciador da nossa incultura e incapacidade de ser corrigidos. Não sabemos aceitar uma crítica, nem uma correcção, somos perfeitos.

Se não nos custa admitir que não sabemos fazer uma simples conta de multiplicar por que será que temos tanta dificuldade em admitir que não sabemos escrever, pelo menos sem erros ortográficos.

Enfim, a nossa "revisora" diverte-se com a necessidade de afirmação de algumas das pessoas que a rodeiam, e às vezes sai cá cada palermice... Já diz o ditado "Albarda-se o burro à vontade do dono."

E somos todos uma grande família feliz, regressamos a casa com a noção de que somos mesmo bons: - Então, não é que corrigimos uma frase da revisora? E certamente ainda comentamos, entredentes: - Deviam era dar-me a mim o ordenado dela!

Um mimo!

Mandar os Políticos à Fava

Eis uma atitude que aplaudo. Compreendo o desespero e lamento as consequências, sofri-as, também, na pele. Pena é que não haja mais pessoas com coragem para o fazer.
Parabéns, anónimo.

Tuesday, May 29, 2007

Grande Máxima

"Não sabe nada e pensa que sabe tudo. Espera-o uma carreira política."
Já o dizia G.B. Shaw
Eu acrescentaria que o espera uma carreira política de sucesso.
Já experimentaram construir uma nota sobre o percurso profissional de um político? Sobretudo daqueles que o único trabalho que tiveram foi o de filiarem-se num Partido depois da Faculdade, do Liceu, ou mesmo da Escola Primária (Ensino Básico, actualmente).
Eis um bom desafio. Garanto-lhes que é difícil, senão impossível, mesmo com a internet como ajuda. E o mais curioso é que são eles que estão sempre nos "cargos-chave", naqueles cargos que interferem com o bem-estar dos cidadãos comuns, com a qualidade de vida dos portugueses. Normalmente, cada um detém várias dessas "posições" que lhe dão mais do que um único ordenado confortável, carro e telemóvel de primeiríssima geração, férias numa ilha tropical. Nem precisam de comprar bilhetes para os espectáculos de ballet, ópera, dança, música, pois tudo lhes é oferecido. Tudo isto é válido para família, afins e amigos.
Se soubesse o que sei hoje, a primeira coisa que tinha feito ao entrar para a Faculdade era inscrever-me num desses dois partidos políticos que têm, à vez, dançado com as cadeiras e engordado à custa do nosso desespero. Nesta altura, não estaria certamente aflita para conseguir pagar os aumentos sucessivos dos juros da casa...

Monday, May 28, 2007

Adeus à Saga do Pilas e outras histórias

Lamento informar-vos, fãs do Pilas e da sua saga, de que me fartei de tudo: do Pilas, da saga, da escrita, do dia-a-dia, em suma, deste país.
Não, não vou regressar à Roménia, país que aliás desconheço, vou mesmo partir para mais longe; adquiri um pedaço de terreno na Lua, com um dinheiro arranjado por um amigo que sempre fez vida partidária, maçónia, sei lá, um desses lóbbis que permitem aos portugueses trabalharem e vingarem em Portugal.
Estou out.
O Pilas que me perdoe. Partamos para outros terrenos.
LTM, MLT, MTL, TLM, etc.....